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deixa vir ~

as vezes
a razão diz mandar no coração
mas é só consolo
e dói mais pra quem finge não ver
enquanto engole o próprio choro ~
deixa vir


Fogueira de Natal

 Há um tempo fui ao Rio  convidado pelo Dado pra compormos juntos um trabalho novo. Ele ainda não tinha claro sobre o que gostaria de cantar mas nas primeiras conversas ficou evidente que precisava resgatar e fechar um ciclo tbm em relação a Legião. Entre várias histórias que contou essa do Renato ~ que quando teve negado seu pedido de um violão pra animar a festa da melancólica ala dos dependentes ~ literalmente tacou fogo no prédio. O natal foi fogo...
No que me mostrou essa primeira melodia a letra saltou junto. É assim quando a sintonia é boa. Depois dessa fizemos mais 7 em 3 dias. Fora uma que era instrumental todas estão no Exit, seu disco novo.





FOGUEIRA DE NATAL 
(Dado Villa-Lobos | Nenung)

Revoada que desfia pelo ar
Toda a noite amanheceu no teu olhar
Já mudamos o destino pode crer
O impossível é flexível sempre foi

O Natal foi fogo
O fogo eu que comecei
Quem sabe o ano novo
Me devolva o que eu sonhei

Fomos tribo pela selva atrás de amor
A aventura de viver sem calcular
Nos perdemos cada um achando o seu
Trilho novo pra se achar...

O fogo eu que comecei
Quem sabe o ano novo
Me devolva o que eu sonhei

O fogo eu que comecei
Quem sabe o ano novo
Me devolva o que eu queimei

A fogueira e nós saltando ao redor
Que a tristeza vire cinza e calor
Revoada que desfia pelo ar
Toda a noite amanheceu...



+ amor & humor ~


+amor & humor pfavor
até porque essa vida não vai mesmo "dar certo"
se a gente não realizar pra valer
isso que viemos pra Ser
sem se levar tão a sério ~

sobre aceitação e conformidade

uma coisa é aceitar o que está aqui e agora
da forma como se apresenta e é percebido
bem outra é aceitar cegaMente as normas e padrões decretados
por humanos parciais e limitados
regras baseadas no passado
estas devem ser revistas e questionadas
criteriosamente ~


nós, os passageiros ~

para aqueles que atingem
a visão de 1 monarca universal
~o menor e o maior simultaneamente realizados~
vivos e mortos são todos iguais
passageiros em trânsito
errantes em busca de algo mais
potência atemporal a ser reconhecida e manifestada
dentro do tempo
raros únicos e ...passageiros
lembra de quem partiu > sabendo que logo partiremos
e o valor está nas escolhas que fazemos
antes que a morte nos separe
tbm de nós mesmos ~


amanhã, amanheça ~

se por hoje chega disso deixa a noite te tomar
deixa a mente jejuar
deixa que o tempo te esqueça
:amanhã amanheça ~

o bom proveito

tua disposição interna
determina o passo
e a direção do teu dia
e não se desperdiça uma escolha> quando ela existe
bom proveito! 




o anzol ~

Plin!
Brilhou a isca
o peixe mordeu
e aquele desejo inadiável
(impensável dispensar)
virou o gancho que o prendeu

o som e o eco ~


o som
~esse que te ofende
esse do qual te defende e dispara
 tua sede de vingança
esse que te elogia e eleva
te acaricia inebria
na certeza fugás de ser tanta importância
esse som é um eco no vale
o sonho oco de um lobo louco
ecoando ao vento
evadindo luz no ar ~
deixa que se venha
deixa que se vá >

sobre minha armadura

vestindo minha armadura
eu não me ponho no lugar de ninguém
os outros ocupam meu espaço
se não me atravessam: serei complacente e indiferente
mas ah > se se meterem no Meu caminho
despejo neles toda frustração contida
a anos nesse ser desconectado de si mesmo
que agora está plenamente justificável
~ que triste que triste ver entre os andantes
a estupidez que ainda se acha importante

o som e o silêncio~

o som ~e até mesmo a palavra~
quando anteriores ao verniz do artifício
> a construção programada o interesse o vício <
preservam sua qualidade de silêncio
o desenho no espaço da expressão sem começo
a arte essencial se maniFestando
nos fazendo simples e vibrantes
instrumentos ~

a tempestade

no mínimo mítico
ter a cidade surda a si mesma
cercada de explosões ribombando seus ouvidos sentidos
noite e dia dias a fio
tempestades puxando nossas vendas
asfaltos altos submersos
avenidas correndo da chuva ruas se virando em rios
tantos olhos fechados uns aos outros
bocas cheias gritando por não poderem mais se ouvir
a agressão da omissão vai calada rangendo
dentes frágeis batendo
os prenúncios de um fim
a água fria no corpo
a luz que apaga na noite
o ônibus não parou
o bêbado que só chora
e o medo que se demora a ir embora de ti
os dirigentes soberbos seus rabos presos sobrando
os fantasmas assombrando a escravidão por contrato
quem sabe a impermanência
estourando céus e bueiros
nos acordem pros fatos
de que somos passageiros
não vale mais chegar primeiro
pois vamos todos no mesmo barco
a rumar sem piedade
pra beira alta inevitável do infinito
onde argumentos egos e gritos
não fazem o menor sentido ...

coragem é um escolha


é uma opção ~alguns acreditam que caíram aqui pra apedrejar e destruir
outros pra acolher recriar
juntos fazer o que tem vida ressurgir
alguns pra se agarrarem ao passado como se fosse o fim
outros pra respirarem cada bocado do presente
como sendo só o começo
alguns vem encolher a vida e tornar seu mundo restrito
acima e abaixo apontando inimigos
outros pra ampliarem as vistas
pra serem eles abrigos
vendo só beleza onde há variedade
e a esses a Terra responde com clareza
porque ama a todos
mas se identifica mais com os que amam abertaMente
e mesmo que vivendo este mesmo cenário
partilhando de algum medo
decidam por ser corajosos
e realizarem seus segredos